sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


"Férmin piscou-me um olho.

- Essa mulher é um vulcão à beira da erupção, com uma libido de magma ígneo e um coração de santa – disse ele, envaidecido. – Para estabelecer um paralelo de verdade, lembra-me a minha mulatinha de Havana, que era uma santeira muito devota. Mas, como eu no fundo sou um cavalheiro à moda antiga, não me aproveitei dela e me conformei com um casto beijo na bochecha. Porque não estou com pressa, sabe? A espera aumenta o desejo. Tem uns bobalhões por aí que acham que, se põem a mão na bunda de uma mulher e ela não reclama, já está no papo. Aprendizes. O coração de uma mulher é um labirinto de sutilezas que desafia a mente grosseira do homem trapaceiro. Para realmente possuir uma mulher, é preciso pensar como ela, e a primeira coisa a fazer é ganhar sua alma. O resto, o doce e fofo embrulho que nos faz perder os sentidos e a virtude, vem por acréscimo.




Aplaudi seu discurso com solenidade.

- Fermín, você é um poeta.

- Não, eu estou com Ortega e sou um pragmático, porque a poesia mente, embora de forma bonita, e o que eu digo é mais verdade do que pão com tomate. Já dizia o mestre, mostre-me um mulherengo e eu lhe mostro um homossexual disfarçado.O meu negócio é a permanência, o perene. Você será minha testemunha de que farei de Bernarda uma mulher, se não de respeito, que isso ela já é, ao menos feliz.
Sorri-lhe, assentindo. Seu entusiasmo era contagiante, e sua métrica invencível...."

Pág.111~112
A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón.









Férmin, te espero.
Me encontra ou deixa eu te encontrar.
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